Big Helmet Heroes: o divertido indie beat 'em up cooperativo medieval
Big Helmet Heroes é o jogo de estreia da desenvolvedora francesa Exalted Studio, fundada por três veteranos da indústria de jogos. Lançado em 6 de fevereiro de 2025 para PlayStation 5, Xbox Series X/S, Nintendo Switch Windows o jogo aposta em um beat 'em up com visuais cartunistas, personagens de cabeças enormes e uma pegada cômica que o diferencia dos títulos medievais convencionais do gênero.
Fãs de clássicos como Golden Axe e Castle Crashers vão encontrar aqui referências familiares, mas o produto final tem identidade própria: um indie com foco em cooperativo local para 2 jogadores, grande variedade de personagens e cenários inventivos distribuídos em 20 fases.
Índice
- História: simples e funcional
- Gráficos e direção de arte
- Jogabilidade e mecânicas
- Personagens: 29 heróis, 4 arquétipos
- Modos de jogo e duração
- Níveis, Design de Fases e Biomas
- Chefes e Encontros Marcantes
- Cooperativo local: o coração do jogo
- Dificuldade e desafio
- Problemas técnicos e polimento
- Pontos positivos e negativos
- Conteúdo Adicional, DLCs e Materiais Oficiais
- Vale a pena jogar Big Helmet Heroes?
- Referências
- Galeria de imagens de Big Helmet Heroes
História: simples e funcional
A narrativa de Big Helmet Heroes não é o foco principal, e isso não é necessariamente um ponto negativo. O jogo começa com um festival medieval que é interrompido por um dragão, que então sequestra a princesa. A missão dos heróis é percorrer o mundo em busca de resgatá-la.
Para contar essa história, o jogo utiliza animações simples no início e no fim de algumas fases. Essas cutscenes têm um visual que remete a desenhos infantis feitos com lápis de cor, com animações de poucos frames e sem diálogos. O resultado é engraçado e coerente com o tom descontraído do jogo. O importante, aqui, é realmente partir para a briga.
O humor está presente tanto nas interações entre personagens quanto nos detalhes dos cenários e nas situações absurdas enfrentadas durante as fases. Elementos como ovelhas gigantes, pistas de boliche em castelos e armas inusitadas contribuem para a atmosfera descontraída e divertida do jogo. Apesar da simplicidade, a história consegue manter o jogador engajado, principalmente pelo carisma dos personagens e pela criatividade das situações apresentadas.
Um detalhe de criatividade no worldbuilding: todos os personagens jogáveis, inimigos e NPCs do jogo usam algum tipo de cobertura na cabeça — capacetes, elmos, máscaras. Goblins, criaturas marinhas, bandidos: ninguém escapa da regra. Isso confere ao universo do jogo um carisma visual consistente.
Gráficos e direção de arte
Big Helmet Heroes adota um visual 3D cartunesco com animações bem caprichadas e personagens de proporções exageradas — as cabeças enormes são a marca registrada do design. Os cenários variam bastante ao longo das fases: o jogo começa com ambientações medievais tradicionais e evolui para praias, castelos, navios piratas, desertos, masmorras, um parque de diversões com luzes de neon e até o topo de uma guitarra elétrica gigante.
Essa diversidade de biomas é um dos pontos positivos do jogo, pois garante uma sensação de novidade a cada fase avançada. As cutscenes intermediárias, no estilo de storyboard animado, são uma solução econômica em termos de produção, mas que funciona bem dentro da proposta cômica.
Por outro lado, críticos apontam que o visual 3D fica aquém do charme do traço hand-drawn de Castle Crashers, referência frequente nas análises. O visual tem personalidade, mas pode parecer genérico em comparação com outros indies do gênero.
Jogabilidade e mecânicas
O sistema de combate de Big Helmet Heroes é direto ao ponto: dois botões de ataque (leve e pesado), esquiva e bloqueio. Os combos são simples, mas o jogo adiciona duas mecânicas que o tornam mais interessante do que o padrão do gênero.
Troca de personagens em tempo real
Em cada fase, o jogador escolhe dois personagens e pode trocar entre eles a qualquer momento durante o combate. O herói que fica de fora recupera saúde enquanto descansa, o que exige atenção constante às barras de vida e adiciona uma camada estratégica ao jogo. Nos estágios mais avançados, essa troca bem executada é essencial para sobreviver.
Ataques especiais
Cada personagem possui um ataque especial único, ativado ao encher uma barra de energia. Alguns exemplos notáveis incluem:
- Transformar-se em um gigante para pisotear os inimigos;
- Convocar um exército de ovelhas para atropelar os adversários;
- Soltar um raio de energia que atravessa toda a tela;
- Ativar uma câmera no estilo John Woo com câmera lenta para todos os combates;
Itens e armas do cenário
Um dos pontos mais elogiados de Big Helmet Heroes é a variedade de armas e itens disponíveis durante as fases. Além das armas padrão de cada personagem, é possível coletar dezenas de armas secundárias espalhadas pelos cenários ou deixadas por inimigos derrotados. Entre os exemplos estão espadas, lanças, bestas, panelas, pinos de boliche, mata-moscas elétricos, marshmallows, bombas de gelo, armas de brinquedo e até canhões de desentupidores.
Essas armas possuem padrões de ataque distintos e durabilidade limitada, quebrando após certo uso e incentivando a experimentação constante. Algumas armas possuem efeitos elementais, como congelar inimigos ou causar dano elétrico, ampliando as possibilidades estratégicas durante o combate.
O uso criativo do ambiente e das armas é incentivado, permitindo que o jogador adapte sua abordagem conforme a situação. O arsenal diversificado contribui para a sensação de caos controlado e mantém o combate interessante mesmo após várias horas de jogo.
Variação de câmera
Algumas fases alteram a perspectiva da câmera: a maior parte do jogo é no estilo lateral clássico, mas há momentos com visão de cima (top-down), seções de sobrevivência com ondas de inimigos e até um trecho que transforma o jogo em um shooter de tiro ao alvo durante uma batalha naval. Essas variações tentam quebrar a repetição natural do gênero, mas nem sempre funcionam — a câmera lateral às vezes corta a visão dos personagens ou dos inimigos, atrapalhando o combate.
Personagens: 29 heróis, 4 arquétipos
Big Helmet Heroes oferece 29 heróis desbloqueáveis ao longo da aventura. No entanto, todos seguem um dos quatro arquétipos abaixo, diferenciando-se apenas pelas skins e pelo ataque especial:
- Guerreiro (Cavaleiro): personagem equilibrado, usa espada e escudo, pode dar investidas nos inimigos.
- Ladino: o mais rápido do grupo, usa duas armas curtas, porém com menor dano por golpe.
- Bruto (Brutamonte): lento, mas poderoso, especializado em armas pesadas e grande dano em área.
- Monge: ataca à distância com bastão, equilibra velocidade e alcance.
A quantidade de 29 personagens cria uma expectativa de variedade que o jogo não sustenta completamente. Como as diferenças dentro de cada arquétipo se resumem à estética e ao especial, muitos jogadores acabam fixando dois ou três favoritos e não voltando aos demais. O ponto positivo é que as skins são criativas e bem-humoradas, coerentes com o tom do jogo.
Modos de jogo e duração
O jogo conta com 20 fases na campanha principal, com duração total estimada entre 4 e 5 horas — considerada adequada para o gênero. Algumas fases são mais longas do que o esperado, podendo ultrapassar 30 minutos individualmente.
O modo principal é o cooperativo local para até 2 jogadores, que é onde o jogo brilha. A jogabilidade em dupla exige sinergia entre os personagens escolhidos, e a dificuldade pode ser ajustada. Os críticos recomendam jogar no modo difícil para uma experiência mais satisfatória.
Uma ausência notável é a falta de multiplayer online — ao menos no lançamento. O jogo também não oferece opções de campanha para mais de dois jogadores. Para quem não tiver um parceiro presente fisicamente, a experiência solo é funcional, mas perde parte do charme cooperativo.
Níveis, Design de Fases e Biomas
Big Helmet Heroes apresenta 21 níveis distribuídos por ambientes variados, incluindo castelos medievais, desertos, montanhas vulcânicas, navios piratas, parques de diversão neon, arenas de boliche e até cenários com unicórnios de metal. Cada fase possui identidade visual própria, com detalhes cômicos e surpresas que quebram a expectativa do jogador.
O design das fases alterna entre sessões lineares de combate, labirintos, desafios de plataforma e encontros com chefes. Em alguns momentos, a perspectiva muda para destacar a grandiosidade do cenário ou introduzir mecânicas diferenciadas, como batalhas navais, minijogos de futebol ou sessões de sobrevivência contra ondas de inimigos.
A variedade de biomas e a criatividade no design dos níveis são frequentemente apontadas como diferenciais do jogo, mantendo a experiência sempre renovada e divertida. No entanto, há relatos de repetição nas ondas de inimigos e falta de perigos ambientais em algumas fases, o que pode afetar o ritmo em sessões mais longas.
Chefes e Encontros Marcantes
Cada mundo apresenta chefes com padrões de ataque próprios, exigindo atenção e estratégia dos jogadores. Entre os destaques estão batalhas contra dragões, krakens e outros monstros mitológicos, além de encontros inusitados como batalhas em cima de guitarras elétricas ou arenas de boliche.
Os chefes costumam exigir o uso inteligente dos superpoderes dos heróis e das armas secundárias encontradas durante a fase. No entanto, há relatos de problemas técnicos em algumas batalhas, como quedas de FPS e glitches que podem forçar o reinício do nível, especialmente em chefes como o Kraken.
Cooperativo local: o coração do jogo
Big Helmet Heroes foi claramente projetado pensando no co-op local. Jogar acompanhado é a forma mais indicada de aproveitar o título: os especiais se complementam, a troca de personagens ganha uma camada comunicativa, e o humor do jogo fica mais evidente quando compartilhado.
Uma ressalva técnica: segundo análises, parece não haver ajuste de balanceamento dos inimigos e chefões ao jogar em dupla, o que pode tornar alguns encontros desproporcionalmente fáceis ou difíceis dependendo da combinação de personagens escolhida.
Dificuldade e desafio
O jogo oferece diferentes níveis de dificuldade. As fases iniciais são acessíveis, mas as seções de sobrevivência com hordas de inimigos e os confrontos com chefões — como o Kraken — oferecem um desafio real. Um dos chefões mais comentados nas análises é uma batalha contra um polvo gigante, que ficou marcada negativamente pela câmera que frequentemente perdia o foco da ação.
O fator replay de Big Helmet Heroes é sustentado principalmente pelo desafio de desbloquear todos os 29 heróis e experimentar seus superpoderes exclusivos. Muitas fases escondem personagens em jaulas, incentivando a exploração e a repetição dos níveis para completar o elenco.
Além dos heróis, há colecionáveis como flores, que ao serem coletadas liberam caixas de saque com itens úteis, e conquistas específicas em cada plataforma. O jogo não possui sistema de evolução de personagens ou customização de habilidades, o que pode limitar o fator replay para jogadores que buscam progressão mais profunda.
O modo cooperativo local é um forte incentivo para revisitar o jogo com amigos ou familiares, proporcionando partidas descontraídas e caóticas.
Problemas técnicos e polimento
Esse é o ponto mais crítico nas análises de Big Helmet Heroes. O jogo apresenta uma série de problemas que prejudicam a experiência, especialmente no PS5 e PC:
- Detecção de colisão (hitbox): golpes que parecem ter acertado os inimigos não são registrados pelo jogo, e o contrário também ocorre.
- Câmera quebrada: em vários momentos, a câmera foca em partes vazias do cenário enquanto o combate acontece fora de tela.
- Input lag no PC: jogadores relataram lentidão nos comandos, tornando o combate menos responsivo.
- Quedas de FPS e crashes: relatados por jogadores nos consoles, embora a frequência varie.
- Personagens caindo de plataformas: os heróis às vezes são empurrados para fora de pontes sem motivo aparente.
A maioria das análises reconhece o potencial do jogo, mas condiciona uma recomendação mais forte à publicação de patches de correção. Com os devidos ajustes técnicos, Big Helmet Heroes teria condições de figurar entre os melhores beat 'em ups indie disponíveis.
Pontos positivos e negativos
Pontos positivos
- Visual cartunesco com boa variedade de cenários
- Mecânicas de troca de personagem e ataques especiais criativas
- Grande quantidade de itens e armas para usar em combate
- Trilha sonora animada e coerente com a proposta
- Cooperativo local divertido e bem implementado
- Tradução em português brasileiro bem feita
- Preço acessível para o conteúdo oferecido
- Humor consistente do início ao fim
Pontos negativos
- 29 personagens baseados em apenas 4 arquétipos
- Problemas de hitbox e detecção de colisão
- Câmera com falhas frequentes, especialmente nas boss fights
- Input lag no PC
- Ausência de multiplayer online
- Algumas mudanças de ângulo de câmera atrapalham o combate
- Quedas de FPS e crashes relatados nos consoles
Conteúdo Adicional, DLCs e Materiais Oficiais
Todo o conteúdo principal está incluso no lançamento, sem previsão de DLCs de expansão ou skins adicionais. Os conteúdos extras disponíveis são:
- Artbook digital (DLC pago ou incluso na Exalted Edition).
- Trilha sonora original (DLC pago ou incluso na Exalted Edition).
- Coloring book gratuito para download no Steam.
- Trailers oficiais, press kits e materiais promocionais estão disponíveis nos canais da Dear
- Villagers e Exalted Studio, além de vídeos no YouTube e redes sociais.
Vale a pena jogar Big Helmet Heroes?
Big Helmet Heroes é um indie beat 'em up com personalidade, humor e boas ideias. A Exalted Studio acertou no estilo visual, na variedade de cenários e no espírito cooperativo do jogo. A trilha sonora rock, as situações absurdas — unicórnios com pirulitos, guitarras como armas, batalhas navais que viram jogos de tiro — e os ataques especiais criativos mostram que há talento e visão por trás do projeto.
O problema é que o jogo chegou ao mercado com polimento insuficiente. Os bugs de hitbox, a câmera instável e o input lag no PC são obstáculos reais que comprometem a experiência, especialmente nos chefões. São falhas que patches podem corrigir — e que tornam a compra mais segura após as primeiras atualizações.
Para quem tem um parceiro para jogar localmente e está disposto a encarar as irregularidades técnicas, Big Helmet Heroes oferece algumas horas de diversão genuína. Para quem prefere esperar por um produto mais polido, a recomendação é aguardar as correções antes de comprar.
Referências
Jogabilidade: Simulação Profunda com Elementos de RPG
O núcleo da jogabilidade de Big Helmet Heroes gira em torno da gestão de recursos, construção e crafting. Este ciclo robusto combina elementos de simulação de vida, RPG e aventura, criando uma experiência única para gamers que apreciam jogos complexos e recompensadores.
Sistema de Construção e Crafting
Os jogadores utilizam uma Estação de Montagem para construir máquinas que processam recursos coletados em peças utilizáveis. A maior parte do tempo é dedicada a completar comissões pela cidade em troca de Gol (a moeda do jogo) e melhorar a reputação da oficina.
As construções acontecem em tempo real, significando que há períodos de espera enquanto os materiais são processados. Durante esses intervalos, os jogadores podem:
- Coletar materiais no deserto e em ruínas
- Aceitar novas comissões no Quadro de Comércio
- Participar de arenas de combate
- Socializar com os habitantes da cidade
- Explorar minas e ruínas abandonadas
O sistema de crafting é detalhado e dividido em diferentes níveis de complexidade. Utiliza-se uma Bancada de Trabalho para ferramentas básicas e materiais simples, enquanto a Estação de Montagem é reservada para estruturas maiores e máquinas industriais. O processamento de materiais exige fornalhas, trituradores e recicladores para transformar matéria-prima em componentes utilizáveis.
Diferencial Importante: Ao contrário de outros jogos do gênero onde itens são fabricados instantaneamente, Sandrock exige que o jogador posicione peças individuais em um diagrama na estação de montagem, tornando o processo mais envolvente e estratégico.
Personagens e Comunidade: Um Mundo Vivo
A cidade de Sandrock é habitada por mais de 45 personagens únicos, cada um com sua própria personalidade, agenda, rotina semanal e histórias. Os NPCs seguem horários próprios e interagem uns com os outros, fazendo com que o mundo pareça genuinamente vivo e independente do jogador.
Eventos e Atividades Comunitárias
A cidade oferece eventos regulares que contribuem para a sensação de comunidade:
- Cooper e Hugo apresentam uma canção para os habitantes todas as quartas-feiras à noite
- Owen conta fábulas em seu saloon (Blue Moon) todos os sábados
- Rocky lê histórias para dormir para seu filho
- Reuniões da prefeitura todos os domingos
- Serviço religioso toda manhã de domingo, com quase toda a cidade presente
- Festivais sazonais que prosseguem mesmo se o jogador chegar atrasado






