Cybernator (Assault Suits Valken): O Clássico de Mecha nascido no Super Nintendo
Cybernator, lançado no Japão como Assault Suits Valken, é um jogo de ação para Super Nintendo desenvolvido pela Masaya e publicado pela Konami no ocidente em abril de 1993. Classificado nos gêneros run and gun e shoot 'em up de ação lateral com mechas, o título é um dos jogos retro do SNES que passa despercebido por muitos — mas que recebeu avaliações geralmente favoráveis da crítica especializada da época e segue sendo referência entre fãs de jogos de tiro clássicos.
A história se passa em um futuro próximo, durante uma guerra global pelo controle dos recursos fósseis da Terra e pela dominação territorial na Lua. O jogador controla Jake Brain, um soldado raso recrutado pelo Corpo de Fuzileiros dos Estados do Pacífico, que pilota um Assault Suit — um mecha humanóide equipado com armamentos variados. Jake e sua unidade, operando a partir do navio de guerra Versis, têm a missão principal de destruir o Bildvorg, o mecha mais poderoso das forças Axis. A narrativa aborda conflitos políticos e militares em escala mundial, e o jogo possui dois finais distintos dependendo do desempenho do jogador nas missões secundárias.
O grande diferencial de Cybernator entre os jogos retro de sua geração é a física do robô. O mecha se movimenta com peso real: é possível sentir o impacto dos passos no chão, o recuo dos disparos e a resposta da gravidade ao ativar os propulsores para flutuar brevemente. O sistema de mira opera em 360 graus, permitindo travar o alvo enquanto o mecha se desloca — um aprendizado que demanda prática. O jogador dispõe de quatro opções de armamento: o tiro padrão Vulcan, mísseis guiados, um laser de longo alcance e o soco de combate corpo a corpo. Coletar chips de energia espalhados pelas fases permite evoluir essas armas, alterando o comportamento dos disparos e aumentando o dano. O escudo, resistente e essencial, bloqueia ataques frontais e é ferramenta central para sobreviver nos estágios mais avançados.
Graficamente, o jogo aproveitou bem o hardware do SNES. Os cenários apresentam destruição em tempo real: paredes acumulam marcas de projéteis e os chefes mecânicos se despedaçam progressivamente conforme recebem dano — uma característica que o designer Satoshi Nakai afirmou ter defendido com insistência durante o desenvolvimento. Detalhes como as cápsulas de tiro ejetadas e os efeitos de propulsão do mecha em voo complementam a ambientação militar. A trilha sonora original, composta por Masanao Akahori, foi bem recebida e recebeu posteriormente um lançamento oficial em CD no Japão.
Entre os veículos de jogos retro que trouxeram Cybernator de volta ao público, estão o Virtual Console do Wii (2007) e do Wii U (2014). Em 2023, o desenvolvedor M2 lançou Assault Suits Valken Declassified para Nintendo Switch, com nova tradução em inglês sem a censura presente na versão ocidental original, arte adicional de Satoshi Urushihara, save states, cheats desbloqueáveis e a opção de alternar entre a trilha original e uma versão remixada.
A crítica especializada da época foi receptiva ao jogo. A Official Nintendo Magazine atribuiu nota 94/100, a Super Play deu 91%, a GamesMaster avaliou com 89% e a Electronic Gaming Monthly com 8/10, destacando os gráficos como demonstração das capacidades do hardware do SNES. Em 1996, a revista Next Generation afirmou que Cybernator foi o jogo que apresentou a muitos jogadores norte-americanos os valores de design clássicos do mercado japonês. Para quem aprecia jogos de tiro laterais e jogos retro do SNES, Cybernator é uma referência que combina jogabilidade técnica, ambientação consistente e progressão de armas bem estruturada.